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Xpedition Rota Maya 2010     México - Guatemala - Belize

20/02/2010
O primeiro dia da Xpedition Rota Maya não poderia ter sido mais variado. Acordámos numa manhã fria em Lisboa, almoçámos com vista para Nova York coberta de neve e adormecemos embalados pelos 28 graus que sopram do Mar das Caraíbas. A ansiedade do grupo ainda se nota, o João Rodrigues lembrou-se em Nova York que a sua carta de condução tinha ficado em Lisboa, o Miguel Casimiro esqueceu-se do capacete algures no primeiro avião e o Fernando Mendoza tem sido revistado dos pés à cabeça sempre que passamos um controlo de aeroporto. Apesar de todos estes imprevistos, tudo está já controlado. O apoio Motoxplorers em Lisboa já tratou de enviar a carta de condução esquecida e o Casimiro já conseguiu recuperar o capacete. Só falta chegar o Joe para arrancarmos para a estrada!

Em Cancun está-se bem, sabe maravilhosamente sair para a rua e sentir aquele calor saboroso, especialmente depois dos meses gelados e molhados que temos tido em Portugal. Estamos alojados num hotel bastante animado e bem localizado que deixa bem claro nas suas cores que estamos no Mexico. O Rui Romero vai ter trabalho de casa durante toda a viagem, inscreveu-se num curso de mergulho PADI e já começou a estudar. Quando voltarmos aqui, no final da rota, vai fazer os exames para receber o seu certificado. Já combinámos que no final da viagem vamos todos fazer um pack de quatro mergulhos para nos despedirmos em grande do mar Caribenho.



Seguindo os passos dos Maya
21/02/2010

A viagem de moto propriamente dita começou com o Casimiro a rodar em contra mão na avenida mais policiada de Playa Carmen. Num ritmo lento e tranquilo fomos-nos familiarizando com as motos nos 250 quilometros que nos levaram a EkBalam.

Esta aldeia Maya é vizinha de uma das zonas arqueológicas mais impressionates desta civilização. Esculturas tridimensionais de tamanho real ornamentam o túmulo de um dos mais importantes reis Mayas de sempre. Um tesouro recentemente descoberto e incrivelmente preservado que maravilha os seus escassos visitantes.

Pernoitamos no ecolodge criado e gerido pela comunidade indigena local. Típicas cabanas mayas, espalhadas por uma área preservada de floresta e a escassos 800 metros do centro arqueológico.

O dia de hoje começou com um belo pequeno almoço indígena, com uma visita ao centro arqueológico e ao cenote adjacente. Partimos então na direccão de Chithen Itza. Um frango assado de beira de estrada fez-nos parar para um almoço saboroso numa tasca bem familiar. Duas horas depois chegámos finalmente a uma das sete maravilhas do mundo.

David guiou-nos não só pelo conjunto de templos, mas também um pouco por todo o Mundo Maya. Profundo conhecedor das rotas desta civilização costuma ser guia em viagens pela Guatemala, Belize e Honduras. Elogiou a rota que prevemos fazer e acrescentou algumas novas ideias e sugestões para verificarmos durante a viagem. Assim o faremos, obrigado David.

De volta às motos o Casimiro voltou à acção e, de uma vez só, derrubou 3 motos em dominó. Nada de grave a registar, seguimos viagem e estamos agora em Muna, uma pequena cidade nas imediações de Uxmal. Amanhã começamos o dia com a visita a mais este centro arqueológico e apontamos a sul pela costa do Golfo Mexicano. Estamos cada vez mais afastados das rotas turísticas convencionais. O que é bom!

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As montanhas dos Chiapas
27/02/2010

Hoje o diário fica por conta de um dos viajantes. Desta vez a tarefa calhou ao Fernando Mendoza, de Badajoz, que na sua língua descreve os últimos dois dias de viagem:

La mañana sigue como ayer. Frío, agua y niebla subiendo el puerto. Coronamos y la cosa cambia radicalmente. Sol radiante que no viene mal cuando uno quiere que se seque su ropa. Además el asfalto está seco e invita a disfrutar de las curvas, de las incontables curvas enlazadas y bien peraltadas sobre un piso deslizante que forman la carretera que va de valle en valle, desde los 400 metros de altitud hasta cerca de los 3000.

Sube y baja, baja y sube, izquierda, derecha, derecha e izquierda... una montaña rusa natural que atraviesa la selva de los Lacandones, en el Estado de Chiapas, la que luego fue de Emiliano Zapata, los zapatistas, el EZLN y el Comandante Marcos.

Aquellos indígenas fueron los únicos capaces que resistieron a los invasores españoles años atrás por la espesura de la jungla, solamente capaz de ser atravesada por los ríos, como el Rio Grijalva, afluente del Usumacinta, que lo hizo en forma de cañón, el majestuoso Cañón del Sumidero.

Vimos cocodrilos, monos, garcillas, garzas grises de cuello largo y el carroñero llamado piloto. Por la noche llegamos a San Cristobal de las Casas, y pernoctamos en la Hacienda Na Bolom.

La hacienda Na Bolom, invita a pasear por su patio y las numerosas estancias llenas de objetos, mapas y fotos que el matrimonio Frans Blom (arqueologo) y Gertrude Duby (fotógrafa) recopilaron durante años de estancia en la zona relativos a los mayas y los lacandones en particular. Dedicamos parte de la mañana a ello.

Con buen tiempo emprendemos la marcha hacia Palenque. De camino hacemos un alto en las Cascadas de Agua Azul y de Misol Ha. En esta última nos damos un refrescante baño antes de descender hacia la ciudad de Palenque.

 

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Rastaman Vibracion
03/03/2010

Tikal é enorme, são mais de 17 quilómetros quadrados de templos, pirâmides, acrópoles e ruínas bem no coracão do parque natural com o mesmo nome. A floresta que a envolve é das mais ricas que já vimos. Macacos, aranhas, guachimis, tapis, esquilos, tucanos e um numero incrível de outras aves enchem o local com uma banda sonora fantástica

Como dormimos bem na entrada da zona arqueológica acordámos bem cedo e fomos dos primeiros a entrar. Seis e trinta da manhã e víamos o nascer do sol a bater bem no pico da maior pirâmide, o Templo do Jaguar.

Subimos a todos os templos que poderiamos subir, calcorreámos calmamente as rotas mais interessantes e pelas 11 da manhã estavamos de volta ao hotel para um mergulho refrescante na piscina antes de regressar à estrada. Pelo caminho pudemos apreciar o Lago Peten com mais calma. Foi aqui neste lago que se acomodou o primeiro grupo de viajantes do oriente que há 7000 anos deram origem à civilização Maya.

A estrada é boa e seguimos para sul com bastante rapidez, aqui na Guatemala não há topos (lombas gigantes redutoras de velocidade) e por isso conseguimos manter uma velocidade de cruzeiro simpática. Chegámos a Rio Dulce, um enclave entre Belize e Honduras que guarda uma comunidade preservada da cultura Garifuna.

Descendentes directos dos escravos negros trazidos pelos ingleses para as plantações de cana do açúcar na América Central, a cultura Garifuna espalha-se por esta costa em povoados completamente exoticos para estas paragens. É como se mudássemos de continente de um momento para o outro.
Livingstone é um destes locais, acessível apenas por lancha, fica numa peninsula repleta de mangais, na foz do Rio Dulce.

Reunimos num hostel para backpackers durante um delicioso jantar com vista para o rio. Tal como temíamos ir às Honduras é apertado. Dá, mas é uma correria. Estamos a escassos 60 quilómetros da fronteira mas ir e vir às ruinas de Copan vai consumir pelo menos dia e meio, e isso quer dizer que vamos ter de subir a correr os 1000 quilometros de costa caribenha que nos faltam percorrer até voltar a Cancun.

Unanimemente decidimos seguir directo para o Belize e deixar as Honduras para uma proxima viagem. Decidi-lo foi bem mais facil do que fazê-lo.
Daqui, a saída mais directa para o Belize é de lancha, atravessando durante uma hora o Parque Natural del Barranco del Río Dulce até Livingstone e depois subindo a costa caribenha mais uma hora até Punta Gorda, a cidade mais a Sul do Belize.

Apreciámos a viagem como verdadeiros turistas, rio Dulce é apertado por um canyon forrado de floresta virgem, é bonito. A corrente é forte mas os capitães conduzem com perícia apesar do desiquilíbrio de pesos provocado pelas motos.

Almoçámos em Livingstone e conhecemos pela primeira vez os Garifuna, carimbámos os passaportes na emigración da Guatemala e avançámos para a última etapa desta travessia fronteiriça.

Uma hora e meia depois chegamos ao Belize. Uma hora e meia de ondas grandes, de vento forte e de molha total. Chegamos cansados, doridos, queimados do sol e molhados até aos ossos, mas satisfeitos, muito satisfeitos. A primeira impressão quando chegamos a terra é que estamos na Jamaica, há uma vibração no ar, um sentido de tranquilidade, de calma, uma Rastaman Vibration...

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A Selva Zapatista
25/02/2010

Depois de uma overdose de cultura Maya que nos levou pelos mais importantes templos de Yucatan, começamos a rota que nos irá levar ao ponto mais a sul desta viagem, Copan nas Honduras.

Para lá chegar temos ainda muito caminho pela frente e é esse caminho que temos vindo a degustar nos ultimos dias. De Muna seguimos para a costa do Golfo do México que nos recebeu com um belo almoço de peixinho grelhado e quilómetros de praias desertas.

Percorremos tranquilamente cerca de 200 quilómetros de costa até encontrar um bom local para estrear as hamacas. Uma praia só para nós, acolhidos por uma palopa de junco e vizinhos de uma tartaruga madrugadora e de um bando de pelicanos desincronizados.

De manhã devorámos mais 200 quilómetros de costa pulando de ilha em ilha na reserva natural da Lagoa de Términasç, uma paisagem em quase tudo idêntica ao Pantanal brasileiro. Declinámos os restaurantes que ofereciam carne de crocodilo na beira da estrada apenas porque recomeçou uma chuva miudinha que teimava em perseguir-nos.

A chuva miudinha transformou-se rapidamente em tempestade tropical, e daí a ventos quase ciclónicos foi uma questão de minutos. A melancólica costa do golfo Mexicano mostrou as suas regras e só restou optar por nos refugiarmos, direccionando a nossa rota para o interior.

A planície interminável do Yucatan dá agora lugar às primeiras montanhas, a vegetação cresce em tamanho e exuberância e a chuva teima em não nos deixar em paz. Subimos, subimos muito, a estrada serpenteia por vales estreitos, gargantas profundas escavadas ao longo de milénios pelo mesmo rio que continua a rugir violentamente no fundo do vale. De quando em quando uma pequena vila Maya, aqui não há turistas, näo há lojas de artesanato nem cafézinhos de beira de estrada, estamos no México profundo, no México puro que cada vez mais nos encanta.

Este mesmo México continuou a presentear-nos com uma chuva que nos acompanhou hoje durante todo o dia. Estamos agora numa aldeia perdida no meio da selva dos Chiapas Mexicanos, coração do movimento Zapatista encaixado no meio de montanhas enormes forradas por densa floresta.

Amanhã espera-nos uma exploração por um canyon com um quilómetro de profundidade, uma visita à preservada San Cristobal de las Casas e uma pernoita numa Hacienda Museu que já alojou a famosa Frida Kahlo.



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Baio Lacandones, Bienvenidos a Guatemala
02/03/2010

Os ultimos dias não poderiam ter corrido melhor. Despedimo-nos de Palenque por uma pista que serpenteia por montanhas ao redor do parque natural que envolve o núcleo arquelógico. A Selva tropical cobre os cumes e os vales de um verde intenso que nos acompanha permanentemente.

Seguimos então pela carretera fronteriza até a Reserva da Biosfera Montes Azules, terra dos Lacandones. Esta tribo é das mais preservadas, a única que resistiu à conquista espanhola e que mantém as suas tradições neste pedaço de selva preservada. Escolhemos passar a noite num dos muitos Campamentos Lacandones da região, unidades de ecoturismo em aldeias indígenas bem fundo no coração da selva.

Em vez dos típicos tacos e tortilhas o João avançou para a cozinha, o Casimiro foi às compras e em meia hora tinhamos feito um belo jantar português. A família indígena que gere as cabanas ficou de tal forma impressionada com os dotes do nosso cozinheiro e com os cheiros que saiam do fogão que se juntou a nós num inesquecível jantar.

O dia seguinte estava bem preenchido. Para começar, uma visita a mais uma zona arqueológica, Bonampac e os seus famosos frescos Mayas. A tarefa seguinte previa atravessar a fronteira para a Guatemala. Durante o estudo da rota sabíamos que existiam duas fronteiras possíveis nesta região, ambas implicando a travessia do rio Ucumacinta. O problema é que não conseguimos confirmar se exsitiam ou não pontes que permitissem a travessia das motos.

Esta é uma das razões porque consideramos tão importante fazer reconhecimentos no terreno. Só assim é possível ter uma percepção real de como funciona um determinado país e de qual a rota mais interessante. A escolha recaiu sobe Frontera Corozal depois de constatar que não existem pontes nos próximos 300 quilómetros de rio que separam os 2 paises.

Frontera Corozal é literalmente um beco sem saída, uma aldeia perdida com vista para as montanhas da Guatemala, entricheirada entre o forte Riu Ucumacinta e a estrada fronteirica. Na realidade tem uma saída, o rio, mas apenas através de canoas pequenas e frageis. Contratámos 6 na cooperativa nativa e sem medos avançámos rio abaixo durante 30 quilómetros até Bethel, a entrada na Guatemala.

A hora que demorou esta aventura foi aproveitada para observar o rio azul turquesa com margens de selva virgem repleta de macacos uivadores. A banda sonora dá um ambiente ainda mais exótico à experiência. Foi, sem dúvida a passagem de fronteira mais marcante que já fizemos.

Em Bethel desembarcámos as motos das canoas sem grande esforço e avançámos em direcão ao lago Peten. Os primeiros 100 quilómetros são de uma pista demolidora, daquelas de pedra grossa e cascalho solto. As suspensões sofrem, nós também, os buracos e os camiões dão-nos luta até à primeira cidade onde finalmente levantamos Quetzales e comemos alguma coisa.

Seguimos então por estradas estranhamente boas até Flores, pelo caminho apenas mais 60 kms de pista mas desta vez em muito bom estado. A paisagem mudou, a selva densa dá lugar a planicies desflorestadas forradas de milho e outras culturas. Passámos directo por Flores, atestámos e seguimos pelas margens do lago Peten até Tikal, a joia Maya da Guatemala.

Escolhemos ficar aqui, no Jungle Lodge Tikal, bem na porta da zona arqueológica, para poder aproveitar bem o dia de amanhã. Vamos sair para uma caminhada às 6 da manhã e ver nascer o sol do cimo da pirâmide mais alta. A esta hora os animais estão no auge da actividade e o ar está fresco, pleno com os odores da floresta.

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The caribbean way
08/03/2010

Definitivamente, acertámos na escolha do sentido da rota. Os últimos dias são dedicados totalmente às delicias do mar das Caraíbas.

Algumas das mais belas e secretas praias deste mar turquesa foram apreciadas durante a nossa travessia do Belize, de Sul para Norte.

O Belize mostrou ser um excelente destino para todo-o-terreno, varias das vias principais não estão ainda asfaltadas. É possivel atalhar entre cidades por pistas muito interessantes, algumas delas atravessando zonas de mata preservada e vários rios. Gostámos!!

No regresso ao México descobrimos Mahahual, outro local preservado que junta infraestrutura mínima com praia deserta, simplesmente perfeito.

As noites tem sido passadas ou em belas cabanas nos coqueirais em frente às praias, ou simplesmente ao relento numa hamaca em plena praia. Os pequenos almoços são simples mas coloridos, além disso são servidos por este simpático povo que teima em sorrir a toda a hora.

Ontem, depois de uma pista magnifica entre Punta Allen e Tulum e da visita à ultima zona arqueológica da Rota, chegámos finalmente ao final da viagem.

Foram duas semanas intensas, duas semanas inesquecíveis numa rota repleta de experiências extraordinariamente diversas. Todos nós vamos regressar diferentes, o João Guacamole Rodrigues, o Rui Romerito e o Fernando Taquito Mendoza são agora profundos conhecedores da melhor cozinha Mexicana, Miguel El Nacho Casimiro deu show com os seus passos de dança e não consigo imaginar como Joe "piña" Rolha vai conseguir sobreviver na Alemanha sem a sua dieta de camarão com sumo de ananás.

Com esta viagem de reconhecimento a MotoXplorers abre um novo destino, uma nova Adventure Tour. Uma região exótica, única no planteta e extraordinariamente diversificada onde criámos uma rota inspirada nas antigas deslocações da Civilização Maya.

Já estamos a contar os dias para voltar.

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