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Seguindo os passos dos Maya
21/02/2010
A viagem de moto
propriamente dita começou com o Casimiro a rodar em contra mão na
avenida mais policiada de Playa Carmen. Num ritmo lento e tranquilo
fomos-nos familiarizando com as motos nos 250 quilometros que nos
levaram a EkBalam.
Esta aldeia Maya é vizinha
de uma das zonas arqueológicas mais impressionates desta civilização.
Esculturas tridimensionais de tamanho real ornamentam o túmulo de um dos
mais importantes reis Mayas de sempre. Um tesouro recentemente
descoberto e incrivelmente preservado que maravilha os seus escassos
visitantes.
Pernoitamos no ecolodge
criado e gerido pela comunidade indigena local. Típicas cabanas mayas,
espalhadas por uma área preservada de floresta e a escassos 800 metros
do centro arqueológico.
O dia de hoje começou com
um belo pequeno almoço indígena, com uma visita ao centro arqueológico e
ao cenote adjacente. Partimos então na direccão de Chithen Itza. Um
frango assado de beira de estrada fez-nos parar para um almoço saboroso
numa tasca bem familiar. Duas horas depois chegámos finalmente a uma das
sete maravilhas do mundo.
David guiou-nos não só pelo
conjunto de templos, mas também um pouco por todo o Mundo Maya.
Profundo conhecedor das rotas desta civilização costuma ser guia em
viagens pela Guatemala, Belize e Honduras. Elogiou a rota que prevemos
fazer e acrescentou algumas novas ideias e sugestões para verificarmos
durante a viagem. Assim o faremos, obrigado David.
De volta às motos o
Casimiro voltou à acção e, de uma vez só, derrubou 3 motos em dominó.
Nada de grave a registar, seguimos viagem e estamos agora em Muna, uma
pequena cidade nas imediações de Uxmal. Amanhã começamos o dia com a
visita a mais este centro arqueológico e apontamos a sul pela costa do
Golfo Mexicano. Estamos cada vez mais afastados das rotas turísticas
convencionais. O que é bom!



As montanhas dos Chiapas
27/02/2010
Hoje o diário fica por conta de um dos viajantes. Desta vez a tarefa
calhou ao Fernando Mendoza, de Badajoz, que na sua língua descreve os
últimos dois dias de viagem:
La mañana sigue como
ayer. Frío, agua y niebla subiendo el puerto. Coronamos y la cosa cambia
radicalmente. Sol radiante que no viene mal cuando uno quiere que se
seque su ropa. Además el asfalto está seco e invita a disfrutar de las
curvas, de las incontables curvas enlazadas y bien peraltadas sobre un
piso deslizante que forman la carretera que va de valle en valle, desde
los 400 metros de altitud hasta cerca de los 3000.
Sube y baja, baja y sube,
izquierda, derecha, derecha e izquierda... una montaña rusa natural que
atraviesa la selva de los Lacandones, en el Estado de Chiapas, la que
luego fue de Emiliano Zapata, los zapatistas, el EZLN y el Comandante
Marcos.
Aquellos indígenas fueron
los únicos capaces que resistieron a los invasores españoles años atrás
por la espesura de la jungla, solamente capaz de ser atravesada por los
ríos, como el Rio Grijalva, afluente del Usumacinta, que lo hizo en
forma de cañón, el majestuoso Cañón del Sumidero.
Vimos cocodrilos, monos,
garcillas, garzas grises de cuello largo y el carroñero llamado piloto.
Por la noche llegamos a San Cristobal de las Casas, y pernoctamos en la
Hacienda Na Bolom.
La hacienda Na Bolom,
invita a pasear por su patio y las numerosas estancias llenas de
objetos, mapas y fotos que el matrimonio Frans Blom (arqueologo) y
Gertrude Duby (fotógrafa) recopilaron durante años de estancia en la
zona relativos a los mayas y los lacandones en particular. Dedicamos
parte de la mañana a ello.
Con buen tiempo
emprendemos la marcha hacia Palenque. De camino hacemos un alto en las
Cascadas de Agua Azul y de Misol Ha. En esta última nos damos un
refrescante baño antes de descender hacia la ciudad de Palenque.
 

Rastaman
Vibracion
03/03/2010
Tikal é enorme, são mais de 17 quilómetros quadrados de templos,
pirâmides, acrópoles e ruínas bem no coracão do parque natural com o
mesmo nome. A floresta que a envolve é das mais ricas que já vimos.
Macacos, aranhas, guachimis, tapis, esquilos, tucanos e um numero
incrível de outras aves enchem o local com uma banda sonora fantástica
Como dormimos bem na entrada
da zona arqueológica acordámos bem cedo e fomos dos primeiros a entrar.
Seis e trinta da manhã e víamos o nascer do sol a bater bem no pico da
maior pirâmide, o Templo do Jaguar.
Subimos a todos os templos
que poderiamos subir, calcorreámos calmamente as rotas mais
interessantes e pelas 11 da manhã estavamos de volta ao hotel para um
mergulho refrescante na piscina antes de regressar à estrada. Pelo
caminho pudemos apreciar o Lago Peten com mais calma. Foi aqui neste
lago que se acomodou o primeiro grupo de viajantes do oriente que há
7000 anos deram origem à civilização Maya.
A estrada é boa e seguimos
para sul com bastante rapidez, aqui na Guatemala não há topos (lombas
gigantes redutoras de velocidade) e por isso conseguimos manter uma
velocidade de cruzeiro simpática. Chegámos a Rio Dulce, um enclave entre
Belize e Honduras que guarda uma comunidade preservada da cultura
Garifuna.
Descendentes directos dos
escravos negros trazidos pelos ingleses para as plantações de cana do
açúcar na América Central, a cultura Garifuna espalha-se por esta costa
em povoados completamente exoticos para estas paragens. É como se
mudássemos de continente de um momento para o outro.
Livingstone é um destes
locais, acessível apenas por lancha, fica numa peninsula repleta de
mangais, na foz do Rio Dulce.
Reunimos num hostel para
backpackers durante um delicioso jantar com vista para o rio. Tal como
temíamos ir às Honduras é apertado. Dá, mas é uma correria. Estamos a
escassos 60 quilómetros da fronteira mas ir e vir às ruinas de Copan vai
consumir pelo menos dia e meio, e isso quer dizer que vamos ter de
subir a correr os 1000 quilometros de costa caribenha que nos faltam
percorrer até voltar a Cancun.
Unanimemente decidimos seguir
directo para o Belize e deixar as Honduras para uma proxima viagem.
Decidi-lo foi bem mais facil do que fazê-lo.
Daqui, a saída mais directa
para o Belize é de lancha, atravessando durante uma hora o Parque
Natural del Barranco del Río Dulce até Livingstone e depois subindo a
costa caribenha mais uma hora até Punta Gorda, a cidade mais a Sul do
Belize.
Apreciámos a viagem como
verdadeiros turistas, rio Dulce é apertado por um canyon forrado de
floresta virgem, é bonito. A corrente é forte mas os capitães conduzem
com perícia apesar do desiquilíbrio de pesos provocado pelas motos.
Almoçámos em Livingstone e
conhecemos pela primeira vez os Garifuna, carimbámos os passaportes na
emigración da Guatemala e avançámos para a última etapa desta travessia
fronteiriça.
Uma hora e meia depois
chegamos ao Belize. Uma hora e meia de ondas grandes, de vento forte e
de molha total. Chegamos cansados, doridos, queimados do sol e molhados
até aos ossos, mas satisfeitos, muito satisfeitos. A primeira impressão
quando chegamos a terra é que estamos na Jamaica, há uma vibração no ar,
um sentido de tranquilidade, de calma, uma Rastaman Vibration...

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A Selva
Zapatista
25/02/2010
Depois de uma overdose de
cultura Maya que nos levou pelos mais importantes templos de Yucatan,
começamos a rota que nos irá levar ao ponto mais a sul desta viagem,
Copan nas Honduras.
Para lá chegar temos ainda muito
caminho pela frente e é esse caminho que temos vindo a degustar nos
ultimos dias. De Muna seguimos para a costa do Golfo do México que nos
recebeu com um belo almoço de peixinho grelhado e quilómetros de praias
desertas.
Percorremos tranquilamente cerca de 200 quilómetros de costa até
encontrar um bom local para estrear as hamacas. Uma praia só para nós,
acolhidos por uma palopa de junco e vizinhos de uma tartaruga
madrugadora e de um bando de pelicanos desincronizados.
De manhã devorámos mais
200 quilómetros de costa pulando de ilha em ilha na reserva natural da
Lagoa de Términasç, uma paisagem em quase tudo idêntica ao Pantanal
brasileiro. Declinámos os restaurantes que ofereciam carne de crocodilo
na beira da estrada apenas porque recomeçou uma chuva miudinha que
teimava em perseguir-nos.
A chuva miudinha
transformou-se rapidamente em tempestade tropical, e daí a ventos quase
ciclónicos foi uma questão de minutos. A melancólica costa do golfo
Mexicano mostrou as suas regras e só restou optar por nos refugiarmos,
direccionando a nossa rota para o interior.
A planície interminável
do Yucatan dá agora lugar às primeiras montanhas, a vegetação cresce em
tamanho e exuberância e a chuva teima em não nos deixar em paz. Subimos,
subimos muito, a estrada serpenteia por vales estreitos, gargantas
profundas escavadas ao longo de milénios pelo mesmo rio que continua a
rugir violentamente no fundo do vale. De quando em quando uma pequena
vila Maya, aqui não há turistas, näo há lojas de artesanato nem
cafézinhos de beira de estrada, estamos no México profundo, no México
puro que cada vez mais nos encanta.
Este mesmo México
continuou a presentear-nos com uma chuva que nos acompanhou hoje durante
todo o dia. Estamos agora numa aldeia perdida no meio da selva dos
Chiapas Mexicanos, coração do movimento Zapatista encaixado no meio de
montanhas enormes forradas por densa floresta.
Amanhã espera-nos uma
exploração por um canyon com um quilómetro de profundidade, uma visita à
preservada San Cristobal de las Casas e uma pernoita numa Hacienda
Museu que já alojou a famosa Frida Kahlo.



Baio
Lacandones, Bienvenidos a Guatemala
02/03/2010
Os ultimos dias não poderiam ter corrido melhor. Despedimo-nos de
Palenque por uma pista que serpenteia por montanhas ao redor do parque
natural que envolve o núcleo arquelógico. A Selva tropical cobre os
cumes e os vales de um verde intenso que nos acompanha permanentemente.
Seguimos então pela carretera
fronteriza até a Reserva da Biosfera Montes Azules, terra dos
Lacandones. Esta tribo é das mais preservadas, a única que resistiu à
conquista espanhola e que mantém as suas tradições neste pedaço de selva
preservada. Escolhemos passar a noite num dos muitos Campamentos
Lacandones da região, unidades de ecoturismo em aldeias indígenas bem
fundo no coração da selva.
Em vez dos típicos tacos e
tortilhas o João avançou para a cozinha, o Casimiro foi às compras e em
meia hora tinhamos feito um belo jantar português. A família indígena
que gere as cabanas ficou de tal forma impressionada com os dotes do
nosso cozinheiro e com os cheiros que saiam do fogão que se juntou a nós
num inesquecível jantar.
O dia seguinte estava bem
preenchido. Para começar, uma visita a mais uma zona arqueológica,
Bonampac e os seus famosos frescos Mayas. A tarefa seguinte previa
atravessar a fronteira para a Guatemala. Durante o estudo da rota
sabíamos que existiam duas fronteiras possíveis nesta região, ambas
implicando a travessia do rio Ucumacinta. O problema é que não
conseguimos confirmar se exsitiam ou não pontes que permitissem a
travessia das motos.
Esta é uma das razões porque
consideramos tão importante fazer reconhecimentos no terreno. Só assim é
possível ter uma percepção real de como funciona um determinado país e
de qual a rota mais interessante. A escolha recaiu sobe Frontera Corozal
depois de constatar que não existem pontes nos próximos 300 quilómetros
de rio que separam os 2 paises.
Frontera Corozal é
literalmente um beco sem saída, uma aldeia perdida com vista para as
montanhas da Guatemala, entricheirada entre o forte Riu Ucumacinta e a
estrada fronteirica. Na realidade tem uma saída, o rio, mas apenas
através de canoas pequenas e frageis. Contratámos 6 na cooperativa
nativa e sem medos avançámos rio abaixo durante 30 quilómetros até
Bethel, a entrada na Guatemala.
A hora que demorou esta
aventura foi aproveitada para observar o rio azul turquesa com margens
de selva virgem repleta de macacos uivadores. A banda sonora dá um
ambiente ainda mais exótico à experiência. Foi, sem dúvida a passagem de
fronteira mais marcante que já fizemos.
Em Bethel desembarcámos as
motos das canoas sem grande esforço e avançámos em direcão ao lago
Peten. Os primeiros 100 quilómetros são de uma pista demolidora,
daquelas de pedra grossa e cascalho solto. As suspensões sofrem, nós
também, os buracos e os camiões dão-nos luta até à primeira cidade onde
finalmente levantamos Quetzales e comemos alguma coisa.
Seguimos então por estradas
estranhamente boas até Flores, pelo caminho apenas mais 60 kms de pista
mas desta vez em muito bom estado. A paisagem mudou, a selva densa dá
lugar a planicies desflorestadas forradas de milho e outras culturas.
Passámos directo por Flores, atestámos e seguimos pelas margens do lago
Peten até Tikal, a joia Maya da Guatemala.
Escolhemos ficar aqui, no
Jungle Lodge Tikal, bem na porta da zona arqueológica, para poder
aproveitar bem o dia de amanhã. Vamos sair para uma caminhada às 6 da
manhã e ver nascer o sol do cimo da pirâmide mais alta. A esta hora os
animais estão no auge da actividade e o ar está fresco, pleno com os
odores da floresta.




The
caribbean way
08/03/2010
Definitivamente, acertámos na escolha do sentido da rota. Os últimos
dias são dedicados totalmente às delicias do mar das Caraíbas.
Algumas das mais belas e
secretas praias deste mar turquesa foram apreciadas durante a nossa
travessia do Belize, de Sul para Norte.
O Belize mostrou ser um
excelente destino para todo-o-terreno, varias das vias principais não
estão ainda asfaltadas. É possivel atalhar entre cidades por pistas
muito interessantes, algumas delas atravessando zonas de mata preservada
e vários rios. Gostámos!!
No regresso ao México
descobrimos Mahahual, outro local preservado que junta infraestrutura
mínima com praia deserta, simplesmente perfeito.
As noites tem sido passadas
ou em belas cabanas nos coqueirais em frente às praias, ou simplesmente
ao relento numa hamaca em plena praia. Os pequenos almoços são simples
mas coloridos, além disso são servidos por este simpático povo que teima
em sorrir a toda a hora.
Ontem, depois de uma pista
magnifica entre Punta Allen e Tulum e da visita à ultima zona
arqueológica da Rota, chegámos finalmente ao final da viagem.
Foram duas semanas intensas,
duas semanas inesquecíveis numa rota repleta de experiências
extraordinariamente diversas. Todos nós vamos regressar diferentes, o
João Guacamole Rodrigues, o Rui Romerito e o Fernando Taquito Mendoza são agora profundos conhecedores da melhor cozinha Mexicana,
Miguel El Nacho Casimiro deu show com os seus passos de dança e
não consigo imaginar como Joe "piña" Rolha vai conseguir
sobreviver na Alemanha sem a sua dieta de camarão com sumo de ananás.
Com esta viagem de
reconhecimento a MotoXplorers abre um novo destino, uma nova Adventure
Tour. Uma região exótica, única no planteta e extraordinariamente
diversificada onde criámos uma rota inspirada nas antigas deslocações da
Civilização Maya.
Já estamos a contar os dias
para voltar. |